11 de maio de 2014

Sobre ter muitas bonecas

Olá!

O post de hoje é mais curto e um pouquinho filosófico. É mais pessoal e trata exclusivamente da opinião da Enfermeira-chefe do Doll Hospital.

Ao mesmo tempo que a ideia de colecionar brinquedos - especialmente bonecas - me encanta (muito!), um outro lado meu fala um pouco mais alto. Talvez por não ter tido muitas bonecas quando criança, e por conta do livro que eu mais lia, minha ideia a respeito de coleções sempre foi limitada, como que se eu tivesse coisas demais, não amaria cada uma delas o suficiente.

Gostaria de citar aqui um trecho do livro "A Princesinha", de Frances Hodgson Burnett.

[...]Faça o favor de tirá-la dos livros quando estiver lendo demais. Ela também precisa brincar, andar no pônei, ou sair para comprar uma boneca nova. Eu gostaria de que ela brincasse mais com bonecas.

- Papai, você não entende - disse Sara. - Se eu saísse e comprasse uma boneca nova toda hora, eu ia ter bonecas demais e não ia conseguir gostar de todas elas como eu devo. As bonecas têm que ser uma espécie de amiga íntima, que a gente conhece bem. [♥]

Foi trabalhando com o Doll Hospital que eu percebi que, de repente, ter várias bonecas não seria algo ruim. Justamente por não serem realmente minhas, e por não ficarem comigo pra sempre, tenho uma impressão um pouco menos sentimental de cada boneca, e acabo me apegando mais à idéia de como elas todas vão ficar lindas e fazer outras crianças felizes em pouco tempo.

Aos poucos isso foi se transformando num carinho por cada brinquedo que passa por minhas mãos, e a ideia de coleção pra mim é como ser mãe de um milhão de coisas fofas, mesmo que elas não estejam comigo ou no meu Hospital. Admito que muito disso é uma cruza de timidez pura e simples com vergonha de ter um hobby que poderia ser considerado "de criança". Porque brinquedos e bonecas são para crianças, certo? Mas o amor não tem idade pra começar ou terminar. E colecionar ou cuidar de dolls é um hobby como qualquer outro - e todos os hobbies parecem estranhos e um tanto excêntricos quando vistos por alguém que não é do mesmo meio.

Sendo impossível agradar a todos, por que então deixar de fazer o que se gosta?

Falando em amor, a pessoa que havia me entregado a boneca que se tornou nossa pequena marinheira entrou em contato comigo esses dias. Ela ficou encantada com a boneca transformada e pediu para levá-la de volta para casa, porque tinha gostado tanto que nem sabia o que dizer, só sabia que queria ficar com aquela doll pequenininha. Prometeu trazer outras bonecas para doação, mas disse que se as visse arrumadas e novas, provavelmente ia querer adotar todas elas de novo. Aquela marinheira já tem mais do que a minha idade, vocês podem pressupor a idade da dona. Como eu vou explicar isso se não for com amor?

[♥]Emily vai ser minha amiga íntima.

O Capitão Crewe olhou para Miss Minchin e Miss Minchin olhou para o Capitão Crewe.

- Quem é Emily? - perguntou ela.

- Conte a ela, Sara - respondeu ele, sorridente.

Os olhos esverdeados de Sara ficaram muito solenes e suaves enquanto ela respondia:

- É uma boneca que eu ainda não tenho, que papai vai comprar para mim. Vamos sair juntos para escolher, e ela vai se chamar Emily.

Emily e A Princesinha.

 

Esperamos que tenham gostado de ler um pouquinho sobre o que a enfermeira pensa. Voltaremos logo com novas restaurações e outras coisas bonitas ♥

 

ilustração de abertura feita pela enfermeira, inspirada no estilo da artista Saaki.

Nenhum comentário:

Postar um comentário